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Capitães da Areia - Jorge Amado

 Oi, tudo bem? Espero que sim, hoje venho compartilhar mais uma leitura feita em 2025.

- Capitães da Areia

- Jorge Amado ( brasileiro) 

- 311 páginas

- Editora Companhia das Letras

- Capitães da Areia, a história crua e comovente de meninos pobres que moram num trapiche abandonado em Salvador, é talvez o romance mais influente de Jorge Amado. Clássico absoluto dos livros sobre a infância abandonada, assombrou e encantou várias gerações de leitores e permanece hoje tão atual quanto na época em que foi escrito.

-  Minha avaliação 4,5 estrelas

Capitães da Areia foi uma experiência interessante de leitura e que cabe reler algumas vezes. Dificilmente conseguiremos abordar tudo o que o autor se propõe a trazer nesta obra numa única leitura. Inicialmente eu fiquei receosa de não conseguir ler esse livro, estava estranhando a forma da escrita e algumas palavras. É sempre um pouco estranho entrar numa história nova e não se conectar logo com ela.

Conforme o livro foi se desenvolvendo e fui conhecendo melhor os personagens comecei a me conectar e esperar um bom desfecho para todos. Pedro Bala, o líder é alguém que causará espanto, empatia e muitos sentimentos complexos em muito de nós. Acredito que acima de tudo precisamos sempre manter na cabeça durante essa leitura que são crianças e jovens abandonados seja por terem ficado órfãos, seja por fugirem de uma situação ruim em que viviam etc. 

Também vale compreender quem é e foi Jorge Amado para entender o que ele pretendia transmitir nessa obra, uma vez que principalmente no fim fique clara qual seu viés ideológico. A mim não causa nenhum problema pois partilhamos do mesma visão. Assim também faz mais sentido as formas pelas quais escolheu abordar alguns dos assuntos no seu livro.

Assuntos como viver nas ruas, religião onde escolheu deixar bem claro a diferença entre baixo e alto clero, assim como das beatas que se preocupavam com o padre mas não com aqueles meninos que precisavam de cuidados e carinho, ajuda mesmo. A figura do personagem Pirulito que deixa bem claro como pode ser difícil se voltar a religião que tanto julga e condena.

Nessa questão do Pirulito, a figura do baixo clero do padre José é essencial para ajudar com que pelo menos um dos capitães da areia conseguisse seguir por um caminho de fé. O que por sua vez também não foi fácil para o padre que se vê tendo problemas com as beatas e o alto clero de sua instituição.

Sem Pernas foi um personagem do qual eu fiquei emocionalmente desvatada. Ele sofre muito, transforma sua dor em raiva. E quando encontra a bondade não sabe como agir e sofre mais por querer ficar e abandonar os amigos ou a família que tem com esses amigos. Lealdade aos capitães da areia é algo que pesa em todos os personagens principalmente porque todos entendem porque estão ali e o que a sociedade pensa e como são tratados.

No geral é uma leitura rica em abordar diversos aspectos sociais. Com um viés ideológico muito claro a esquerda e a favor dos pobres. Desde a figura dos protagonistas que são crianças de rua, o padre José que quer ajudar/salvar os meninos mas acaba em meio a um dilema por conta da forma como esses são vistos pela sociedade, até a discussão sobre trabalho e greves trabalhistas.

Concluindo é um livro que pretendo reler e buscar mais análises e opiniões sobre. Recomendo que leiam e tirem suas próprias conclusões, mas sempre lembrando do olhar atento entendendo o momento que a obra foi criada, o lugar e seu objetivo. Isso colocado me digam nos comentários se leram ou querem ler. Qual a sua opinião?

Para quem chegou até aqui, meu muito obrigado. E até a próxima!

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